segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

COMO VAI A SAÚDE DO(A) PROFESSOR(A)?


No mundo do trabalho, os avanços tecnológicos têm gerado novas atividades laborais. Debates a respeito das repercussões de tais mudanças na saúde dos trabalhadores, mais recentemente, há um interesse maior na percepção de como as condições de trabalho, salário e carreira da atividade docente têm repercutido na saúde dos(as) professores(as).

Estudos cada vez mais frequentes abordam a saúde ocupacional dos(as) professores(as) docentes. A socióloga Cristina Kavalkievicz diz que participou de alguns, dentre eles a pesquisa Condições de Trabalho e Saúde dos Professores da Rede Praticar de Ensino de Salvador, que foi desenvolvida pelo sindicato dos professores no Estado da Bahia (SINPROBA), em parceria com o Departamento de Medicina Preventiva da faculdade de Medicina da UFBA e financiamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE).

RESULTADOS

Percebemos a prevalência das doenças relacionadas à voz, que já eram de certo modo conhecidas, uma vez que a voz é um dos principais instrumentos de trabalho dos(as) professores(as). Mas o que mais surpreendeu e assustou os(as) pesquisadores(as) foi o alto grau de distúrbios psíquicos, no estudo denominado DPM (distúrbios psíquicos menores). Dos 572 professores(as) pesquisados(as) 20,1% indicam prevalência de distúrbios psíquicos menores. Essa frequência é bastante significativa.

A análise das variáveis referentes á saúde mental dos(as) professores(as) reforça os achados de outros estudos que estudaram populações submetidas a risco de adoecimento psíquico ou de estresse entre professores(as), apontando um quadro que merece maior atenção e aprofundamento.

Apesar de ter sido uma pesquisa desenvolvida pelas entidades do estado e nacionais que representam os(as) professores(as) que lecionam no setor privado da educação, uma das questões apresentadas no questionário identifica se o participante leciona também na rede estadual, municipal ou federal. A resposta comumente encontrada foi o pertencimento à rede estadual de educação, o que coloca os docentes no mesmo lugar quanto às condições de saúde e trabalho.

CONDIÇÕOES DE TRABALHO

A pesquisa publicada em 1999 pelo pesquisador da UNB, Wanderlei Codo, com 26 mil professores(as) da educação básica pública do Brasil, trouxe como um dos mais preocupantes achados a Sídrome de Burnout, que de modo simples pode ser explicada como esgotamento físico e mental intenso dos doentes.

Portanto importa afirmar que as várias pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas abordando a saúde ocupacional de professores(as) – têm convergido para a compreensão de que determinados ambientes de trabalho são responsáveis por agrados à saúde dos(as) trabalhadores(as).

É preciso registrar que para a atividade docente compreendemos o ambiente de trabalho, também e fundamentalmente, as condições de trabalho, carreira e salário, configurando-se assim a ambiência do trabalho para os(as) doentes.

A existência de condições de trabalho desencadeadoras de sofrimento, estresse, ansiedade é uma realidade incontestável. Entretanto as repercussões sobre a saúde dos(as) trabalhadores(as), reconhecidamente expostos(as) a fatores estressantes e ansiogênicos, são ainda pouco conhecidas.

A humanização das relações de trabalho passa com certeza pela superação desse modelo socioeconômico capitalista. É preciso referendar um outro modelo de trabalho, o trabalho com sentido para a vida humana, capaz de gerar a vivência material digna e a realização prazerosa da inventividade, da criatividade e da alegria humana.

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