No mundo do trabalho, os
avanços tecnológicos têm gerado novas atividades laborais. Debates a respeito
das repercussões de tais mudanças na saúde dos trabalhadores, mais
recentemente, há um interesse maior na percepção de como as condições de
trabalho, salário e carreira da atividade docente têm repercutido na saúde dos(as)
professores(as).
Estudos cada vez mais
frequentes abordam a saúde ocupacional dos(as) professores(as) docentes. A
socióloga Cristina Kavalkievicz diz que participou de alguns, dentre eles a
pesquisa Condições de Trabalho e Saúde
dos Professores da Rede Praticar de Ensino de Salvador, que foi
desenvolvida pelo sindicato dos professores no Estado da Bahia (SINPROBA), em
parceria com o Departamento de Medicina Preventiva da faculdade de Medicina da
UFBA e financiamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos
de Ensino (CONTEE).
RESULTADOS
Percebemos a prevalência das
doenças relacionadas à voz, que já eram de certo modo conhecidas, uma vez que a
voz é um dos principais instrumentos de trabalho dos(as) professores(as). Mas o
que mais surpreendeu e assustou os(as) pesquisadores(as) foi o alto grau de
distúrbios psíquicos, no estudo denominado DPM (distúrbios psíquicos menores).
Dos 572 professores(as) pesquisados(as) 20,1% indicam prevalência de distúrbios
psíquicos menores. Essa frequência é bastante significativa.
A análise das variáveis
referentes á saúde mental dos(as) professores(as) reforça os achados de outros
estudos que estudaram populações submetidas a risco de adoecimento psíquico ou
de estresse entre professores(as), apontando um quadro que merece maior atenção
e aprofundamento.
Apesar de ter sido uma
pesquisa desenvolvida pelas entidades do estado e nacionais que representam os(as)
professores(as) que lecionam no setor privado da educação, uma das questões
apresentadas no questionário identifica se o participante leciona também na
rede estadual, municipal ou federal. A resposta comumente encontrada foi o
pertencimento à rede estadual de educação, o que coloca os docentes no mesmo
lugar quanto às condições de saúde e trabalho.
CONDIÇÕOES DE TRABALHO
A pesquisa publicada em 1999
pelo pesquisador da UNB, Wanderlei Codo, com 26 mil professores(as) da educação
básica pública do Brasil, trouxe como um dos mais preocupantes achados a
Sídrome de Burnout, que de modo simples pode ser explicada como esgotamento
físico e mental intenso dos doentes.
Portanto importa afirmar que
as várias pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas abordando a saúde
ocupacional de professores(as) – têm convergido para a compreensão de que
determinados ambientes de trabalho são responsáveis por agrados à saúde dos(as)
trabalhadores(as).
É preciso registrar que para
a atividade docente compreendemos o ambiente de trabalho, também e
fundamentalmente, as condições de trabalho, carreira e salário, configurando-se
assim a ambiência do trabalho para os(as) doentes.
A existência de condições de
trabalho desencadeadoras de sofrimento, estresse, ansiedade é uma realidade
incontestável. Entretanto as repercussões sobre a saúde dos(as)
trabalhadores(as), reconhecidamente expostos(as) a fatores estressantes e
ansiogênicos, são ainda pouco conhecidas.
A humanização das relações
de trabalho passa com certeza pela superação desse modelo socioeconômico
capitalista. É preciso referendar um outro modelo de trabalho, o trabalho com
sentido para a vida humana, capaz de gerar a vivência material digna e a
realização prazerosa da inventividade, da criatividade e da alegria humana.
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