O SIGNIFICADO DO TRABALHO: APRESENTAÇÃO DA ÉTICA DO TRABALHO.
Segundo Bauman, a ética para o trabalho consiste em duas premissas explicitas e duas presunções implícitas. Sendo que a primeira premissa, diz que todo individuo deve fazer algo de importante e valioso, para que os outros o considerem digno de um pagamento, pois nada é de graça, dou algo para receber algo em troca; a segunda premissa, nos fala que é um erro se acomodar quando já se alcançou algo, pois o ato de se conformar-se diante de algo conseguido, é um erro irracional. Trabalhar é um ato nobre e enriquecedor.
A primeira presunção nos fala que a maioria das pessoas tem uma capacidade muito grande de trabalho e vende esse esforço para ganhar a vida, e consequentemente mudar sua forma de viver; o trabalho é o estado normal para todos os seres humanos, não trabalhar é anormal. A outra presunção sustenta que só o trabalho cujo valor é reconhecido pelos demais (trabalhos assalariados) é que tem um valor moral consagrado pela a ética do trabalho.
Stuart Mill relembrava a importância dos antigos artesãos que trabalhavam pelo prazer de confeccionar seus produtos, pois vender essas produções era uma consequência do seu trabalho, até que as mudanças ocorridas no mundo do trabalho chegaram, e tudo passou a ser visto como mercadorias, a força de trabalho passou a ser produto de venda como qualquer objeto de consumo. O rápido abandono dos últimos instintos pré-modernos que estabelecia um compromisso do trabalhador com seu trabalho foram transformada pelas mudanças ocorridas na sociedade moderna.
O problema central que enfrentava os pioneiros da modernização trabalhista era a necessidade de se adaptar as novas tendências do mercado, que antes eram acostumados a dar sentido ao seu trabalho através de suas próprias metas, agora era obrigados a seguir as novas regras, teriam que voltar suas habilidades e seu esforço no comprimento de obrigações que outras apresentavam e controlavam para atingir seus objetivos. Como comenta Werner Sambart o novo sistema fabril necessita de partes de seres humanos: pequenas engrenagens sem alma, integrados a um mecanismo mais complexo.
A ética do trabalho era um dos eixos do programa moral e educativo, tanto os homens de pensamento como os de ação, formavam o núcleo que mais tarde se chamou de “processo civilizador”. Com os demais conceitos para uma conduta reta, digna de mérito, a ética do trabalho era ao mesmo tempo uma visão construtivista e a forma para se alcançar um trabalho modelador e organizado. Por certo é que, para o novo mundo da modernidade, “tradição” era palavra não bem aceita, porque simbolizava as tendências moralmente ultrapassadas que ia contra a que idealizava a ética do trabalho.
Outro ponto importante, neste tema é a questão, da ética do trabalho à estética do consumismo, todos nós sabemos os grandes riscos que significa ser “consumidor”: usar coisas, comê-las, vestir-se com elas, utilizá-las para jogar e brincar, em geral satisfazer nossas necessidades e desejos. Consumir também significa; apropriar-se das coisas destinadas ao consumo, pagar por elas, e deste modo converte-las em algo de nossa exclusiva propriedade. Neste sentido é importante, compreender que consumir significa também destruir, pois à medida, em que consumimos às coisas vão deixando de existir na natureza.
A INSEGURIDADE SOCIAL
Para Roberto Castel nossa existência se desenvolve desde o nascimento até a morte, neste sentido, a busca por algo seguro, se torna uma corrida para a chamada “seguridade social” onde todos buscam de alguma maneira de direito, a segurança para seus membros familiares, procurando ofertar sempre uma melhor saúde, educação, moradia e qualidade de vida.
A sensação de inseguridade não exatamente proporcional aos perigos reais que amaçam uma população, é mais um desface entre uma expectativa socialmente construída de proteções e as capacidades efetivas de uma sociedade para coloca-las em funcionamento. Hoje existe uma problemática das proteções civis e jurídicas que nos remete a um estado de direito e aos obstáculos experimentados o mais perto possível das exigências manifestadas pelos indivíduos na sua vida cotidiana.
Com o advento da modernidade, os status mudam radicalmente, o individuo vive as margens sua própria atuação dentro de uma coletividade, mas não quer dizer que ele está seguro na sua individualidade, pelo o contrario, é a organização social que garante o bem estar da mesma, são os desmando das autoridades e governos que leva as pessoas a uma individualização, onde cada um é livre para tomar suas próprias direções.
Uma sociedade livre, sem orientações e sem regras preestabelecidas se torna, segundo Castel uma sociedade sem um estado de natureza, quer dizer, um estado sem lei, sem direitos, sem construções politicas e sem instituições sociais, pois é a falta dessas regulamentações, que coloca os indivíduos em uma competição desenfreada entre si, levando-os a uma guerra de todos contra todos, para ele seria uma inseguridade total viver deste modo.
Liberados de toda regulamentação coletiva, os indivíduos vivem sob o signo de amaça permanente, porque não tem o poder de proteger e nem proteger-se, é neste contexto, que a lei do mais forte passa a vigorar livremente, ao contrario de tudo isso, é que se pode dizer que é de fundamental importância a necessidade de esta protegido, pois é esta condição que deve assumir toda e qualquer sociedade, para que possa dar segura a seus membros.
Max weber comenta também, de uma maneira mais centrada e pragmática, que o estado deve ter o monopólio do exercício da violência sob controle, e que ao mobilizar todos os meios necessários para governar a todos os homens, quer dizer, ao monopolizar todos os poderes políticos, o estado se torna absoluto e libera os cidadãos do medo e lhes permite existir livremente na esfera privada, mas dentro de um espaço social controlado.
À sombra de um estado protetor, o homem moderno pode cultivar livremente sua subjetividade, lançar-se à conquista da natureza, transformá-la mediante seu trabalho e acrescentar sua independência sobre suas propriedades. Tomas Hobbes afirma tudo isso, mas inclui a importância de um rol de proteção social do estado para que os indivíduos possam viver de forma assegura pela sua organização social, pois “estar protegido não é um estado natural, mas uma situação construída ao longo da historia de um povo”.
ARTICULAÇÃO ENTRE TRABALHO E SUBJETIVIDADE.
No seu livro La Corrosión del caracter, sennett, faz alusão ao sonho dos indivíduos de ascender profissionalmente, pessoas procedentes de uma camada social baixa que buscam através de trabalho incansável melhorar a situação financeira e o bem está de sua família, mesmo que para isso tenham que reiniciar suas raízes humildes conectar-se à um mundo novo cheio de armadilhas que a priori não são percebidos devido a ânsia dos indivíduos de colocar-se em um status social privilegiado.
Nesse contexto os indivíduos encontram no trabalho um meio eficaz para conseguir esse objetivo. Trabalho esse muitas vezes realizado de maneira mecânica dissociado da realização emocional necessário dos seres humanos, põe em discussão o trabalho com finalidade apenas para, ascensão social deixando de lado a realização individual que porém dos desejos e realizações emocionais e pessoa.
Dos trabalhadores é exigido uma predisposição para viver em contastes mudanças, pois as empresas possuem um ritmo acelerado de funcionamento que precisa ser acompanhado por seus empregados, de modo que seus trabalhadores frustra-se ao se deparar com ideias que são alheias às suas perspectivas profissionais ou de vida ficando à deriva de seus sonhos e sufocando por uma realidade que assusta já que as empresas veem no trabalhador um mecanismo a ser usado de acordo com as funções necessárias.
Com o tempo tais experiências vividas pelo trabalhador em um ambiente inseguras onde o mesmo experimentas tantas mudanças, causa uma desordem emocional, provoca uma disputa entre essas experiências e os valores adquiridos pelo individuo ao longo da vida, Tudo isso mostra a fala de estabilidade vivida pelo empregado, pois o desejo da vida de um emprego para servir de garantia de tranquilidade, pois a flexibilidade vivida pelo trabalhador nas empresas o fazer e está permanente vigilância.
No texto é apresentado a rotina no trabalho como um processo positivo na medida em que o trabalhador realiza suas atividades rotineiras e aperfeiçoa suas habilidades profissionais sem que haja apenas uma atuação mecânica, ao colocar a prática como algo positivo no trabalho para melhorar o desempenho no decorrer do tempo. Mas estabelece a rotina como um processo negativo do ponto de vista em que o mercado de trabalho exige cada vez mais pessoas especializadas capazes de realizar atividades no mundo terceirizado e que sejam hábeis em suas atividades produtivas.
Com relação ao trabalho fica explicito sua indispensável existência em uma sociedade ativa, produtiva e globalizada, visto que este fortemente ligado ao anseio das pessoas e colocar-se em uma camada mais privilegiada da sociedade. Mais é importante observar que no mundo contemporâneo este sonho alarga-se a fronteiras que muitas vezes foge ao controle do próprio trabalhador, pois interfere em todos os aspectos da vida do individuo podendo, assim, influenciar positivamente ou negativamente suas ações futuras.