sexta-feira, 30 de novembro de 2012

INTELIGÊNCIA COLETIVA


Na contramão da ideia de superficializacão trazida pelo conhecimento e informações rápidas da internet, Pierre Lévy, o grande filósofo da informação da atualidade, garante que o efeito está longe de ser este.

O fato de os saberes estarem sendo “vitalizados”, ou seja, são participantes da Cibercultura, faz com que o acesso á informação seja rápido, mas também a repercussão dela e a participação sobre o conteúdo. Todos participam dessa construção, numa relação que ele chama de todos - todos (antes, o que tínhamos era a comunicação um - um, como uma carta ou um homem ao telefone, ou um - todo, como a da TV). E assim, há volta da subjetividade, da individualidade do homem, que participa ativamente desse processo com o seu “eu”. E assim, há volta da subjetividade, da individualidade do homem, que participa ativamente desse processo com o seu “eu”. E o que propicia também o que ele cunha de inteligência coletiva. O artigo de capa desta edição versa sobre um tema, que parece bastante batido, de forma diferente. E também contribui com uma interessante discussão sobre se o virtual é real, baseado em ideias de Aristóteles.


VIRTUALIZAÇÃO DOS SABERES


Na discussão sobre se o virtual é real, Pierre Lévy defende que a interação e troca do conhecimento, propiciados pela Cibercultura, possibilita ao homem participar de uma “inteligência coletiva”, que funcionará como instrumento para resgatar a sua subjetividade.

O advento das tecnologias eletrônicas na cultura contemporânea conduz a uma frutífera reflexão sobre a questão da virtualização dos saberes, circunstância própria da era informática na qual, de uma maneira geral, estamos todos inseridos. Certamente, jamais encontramos tanta felicidade para a divulgação imediata de conteúdos tal como atualmente existe no sistema informático, circunstância que, interpreta por um viés otimista, representa uma democratização do processo de criação intelectual e sua consequente difusão pública. Nessas condições. Pierre Lévy afirma: “As atividades de pesquisa, de aprendizagem e de lazer serão virtuais ou comandadas pela economia virtual. O ciberespaço será o epicentro do mercado, o lugar da criação e da aquisição de conhecimentos, o principal meio da comunicação e da vida social”.

A “Cibercultura” é um termo utilizado na definição dos agenciamentos sociais no espaço eletrônico virtual. Estas comunidades estão ampliando e popularizado a utilização da Internet e outras tecnologias de comunicação, possibilitando assim maior aproximação entre as pessoas de todo mundo. Esse termo se relaciona diretamente com as dinâmicas sociais, econômicas, políticas e filosóficas dos indivíduos conectados em rede, bem como a tentativa de englobar os desdobramentos que este comportamento requisita.

 

 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A MATEMÁTICA PULSA NO DIA-A-DIA


 No dia-a-dia, filhos de camponeses fazem uma matemática peculiar, ligadas ás necessidades reais. Durante o plano desenvolvem noções de geometria ao traçar e dividir canteiros. Fazem estatísticas e cálculos ao contar e separar sementes. Finanças, ao estabelecer preços para produção. Lidam com volume e proporção ao estipular quantidades de adubo. Observam regularidades no crescimento e no formato das plantas. Tudo ao seu modo, com linguagem própria e pouco formalizada.

 Na escola, essas crianças costumam levar um choque. A matemática que lhes é imposta, mais parece grego. Trata dos mesmos temas, mas despreza a informação que vem de casa. Tudo em nome do cumprimento de um currículo ultrapassado, abstrato, baseado numa formalização proposta a mais de 2000 anos. O resultado não poderia ser outro. O aluno cria aversão a disciplina não ver utilidade no que é ensinado e, claro, vai mal.

Se você conhece esse fracasso, nem responsabilize o estudante. “o equivoco é do modelo, não das pessoas”, afirma o professor Luiz Márcio e Imenes, engenheiro civil, mestre em educação matemática e autor de livros didáticos. Segundo ele, os erros são históricos. O principal deles: gastar 95% do tempo das aulas fazendo continha. “O ensino deve estar voltado à resolução de problemas”, enfatiza. Felizmente, muita gente boa está mudando esse quadro.

Há pelo menos duas décadas, educadores de todo o mundo, organizados no chamado movimento de educação matemática, criam estratégias, propõem currículos com enfoques diferentes para os conteúdos, pedem a reintegração da geometria ao programa e, sobretudo, a adoção de uma abordagem ligada ao cotidiano é vinculada as demais áreas do conhecimento. Essa aproximação se consegue com alinhamento da didática a ideias como a Programa Etnomatemática, formulado por Ubiratan D’Ambrósio, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas e professor de pós – graduação na Universidade de São Paulo (USP), na pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade Estadual paulista.

Para D’Ambrósio, a sabedoria da criança do campo (ou da favela, ou de um bairro rico) nunca pode ser desprezada. “Quando respeita esse conhecimento, o professor cria vínculo, faz um pacto com o aluno e ergue uma ponte entre a realidade cultural e o ensino formal, preparando o terreno para a formação do espirito científico”.

domingo, 25 de novembro de 2012

COMO CALCULAR π NUMA ILHA DESERTA?


Quando o navio de Robinson Crusoé naufraga, o personagem vai para uma ilha deserta e tem de lutar para sobreviver com alguns mantimentos que pego no navio. Depois de construir uma espécie de cabana, organizar mais o time para caçar animais e explorar a ilha de vez em quando, ele poderia ter usado matemática para passar o tempo. Poderia seguir o exemplo de Arquimedes, que também viveu numa ilha, e usar o método de exaustão para calcular uma aproximação de π. Crusoé poderia até descobrir mais casas decimais do que o próprio matemático grego. Se um estudante no ensino médio quiser fazer o mesmo, mais no conforto de casa, só precisa do papel, lápis, e bons conhecimentos de geometria básica.                                                     
O que Arquimedes fez para aproximar π não é nada trivial. Para Aline dos Reis Matheus, do centro de aperfeiçoamento do ensino da matemática (CAEM, localizado na universidade de São Paulo), o professor teria de mastigar bem o  o conteúdo do tratado de Arquimedes para apresentá-lo a alunos do ensino médio.  “Não é uma questão de raciocínio, é uma questão de ter traquejo com as personagens que ele usa e fôlego para acompanhar. O aluno de ensino médio em geral não tem maturidade.” Aline diz que talvez seja mais prático usar uma versão do que Arquimedes fez, versão na qual os alunos possam usar uma calculadora e os botões de seno, cosseno e tangente.
Para repetir os passos de Arquimedes, o estudante deve ter noções de desenho geométrico, bissetriz, mediatriz, o que circunscrição e inscrição, e trigonometria. Além disso, o professor deve ajudar os alunos com as inequações e as relações entre medidas. Se não o aluno vai ficar espantado quando vir que Arquimedes usa para o raio a mesma medida que para o diâmetro. Aline explica: “A relação entre das coisas é a mesma para o dobro dessas duas coisas.  
ARQUIMEDES E O π
Arquimedes viveu por 75 anos em Siracusa (na Sicília, uma ilha da Itália). Algumas pessoas dizem que ele costumava andar com um pote de areia embaixo do braço para que pudesse desenhar formas geométricas e fazer cálculos – naquela época, 300 a.C., qualquer forma de papel era caríssima. Hoje o aficionado por história da matemática (vamos chama-lo de Isaac) pode refazer os passos de Arquimedes com maior conforto. Na verdade, Isaac prefere usar também régua e compasso, mas não precisa desenhar nada em perfeição, pois as formas só servem para orientar o pensamento.  

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

DEU BRANCO!


 

A angústia de não conseguir iniciar um texto é a da dificuldade de romper um silêncio constrangedor. Nem é necessário ser escritor ou poeta para ter experimentado essa sensação. A divaga, palavras faltam, parece que tudo o que se aprendeu perde a eficácia e a forma, incapaz de ser transformado em frase.

Quando se candidatou a uma residência em uma clínica médica em instituições americanas, no fim do ano passado, a paulista Juliana da Silva, de São José dos Campos (SP), teve de escrever uma “carta de motivação” a cada hospital, explicando as razões para a escolha daquele programa e por que seria a candidata ideal para a vaga. A barreira do idioma era o de menos.

_ Foram em média quarenta cartas e eu não tinha ideia de como começar! Não conhecia o público alvo e estava insegura sobre o nível de linguagem adotar, principalmente porque cada texto exigiu certo nível de exposição pessoal e de autoconhecimento, o que significava transpor várias barreiras culturais que ficaram óbvias apenas ao longo do processo _ explica Juliana.

A necessidade a fez desenvolver um método próprio de desbloqueio.

_ O parágrafo inicial, sempre uma barreira, deixo por último, e só o retomo depois que escrevo todas as ideias e as vou costurando ao longo do texto. Costumo elaborar a ideia principal oralmente e depois tento fazer disso um parágrafo coeso. Nem sempre é fácil _ explica Juliana.

A escritora Sônia Belotto, professora de oficina de escrita, orienta que, em casos assim, há três condições para um bom resultado: “ conhecer o publico, dominar o assunto escolhido e dominar as técnicas de escrita”. Fazer isso é que são elas.

ANOTE AS IDEIAS

A organização dos pensamentos é uma etapa fundamental na preparação que precede um texto bem redigido. Em primeiro lugar, afirma a professora de redação do cursinho e colégio objetivo, Maria Aparecida Custodio, é preciso anotar todas as ideia  que passam pela cabeça em relação ao assunto sobre o qual se quer escrever. Á maneira de um brainstorming, é importante registrar conceitos e sacadas que podem ser aproveitadas na redação posteriormente. Porém, antes mesmo de se sentar para colocar as ideias no papel, convém definir a finalidade do seu texto e as possíveis formas de se tratar o assunto, tendo em mente sempre a necessidade de despertar e capturar o interesse do leitor.

_ A partir disso, o ideal é registrar as ideias relacionadas ao assunto da maneira mais espontânea possível; só depois vem a preocupação com o vocabulário, com a ortografia e com a organização do texto. Primeiramente vem o conteúdo e em seguida, a forma --- diz Maria Aparecida.