domingo, 25 de novembro de 2012

COMO CALCULAR π NUMA ILHA DESERTA?


Quando o navio de Robinson Crusoé naufraga, o personagem vai para uma ilha deserta e tem de lutar para sobreviver com alguns mantimentos que pego no navio. Depois de construir uma espécie de cabana, organizar mais o time para caçar animais e explorar a ilha de vez em quando, ele poderia ter usado matemática para passar o tempo. Poderia seguir o exemplo de Arquimedes, que também viveu numa ilha, e usar o método de exaustão para calcular uma aproximação de π. Crusoé poderia até descobrir mais casas decimais do que o próprio matemático grego. Se um estudante no ensino médio quiser fazer o mesmo, mais no conforto de casa, só precisa do papel, lápis, e bons conhecimentos de geometria básica.                                                     
O que Arquimedes fez para aproximar π não é nada trivial. Para Aline dos Reis Matheus, do centro de aperfeiçoamento do ensino da matemática (CAEM, localizado na universidade de São Paulo), o professor teria de mastigar bem o  o conteúdo do tratado de Arquimedes para apresentá-lo a alunos do ensino médio.  “Não é uma questão de raciocínio, é uma questão de ter traquejo com as personagens que ele usa e fôlego para acompanhar. O aluno de ensino médio em geral não tem maturidade.” Aline diz que talvez seja mais prático usar uma versão do que Arquimedes fez, versão na qual os alunos possam usar uma calculadora e os botões de seno, cosseno e tangente.
Para repetir os passos de Arquimedes, o estudante deve ter noções de desenho geométrico, bissetriz, mediatriz, o que circunscrição e inscrição, e trigonometria. Além disso, o professor deve ajudar os alunos com as inequações e as relações entre medidas. Se não o aluno vai ficar espantado quando vir que Arquimedes usa para o raio a mesma medida que para o diâmetro. Aline explica: “A relação entre das coisas é a mesma para o dobro dessas duas coisas.  
ARQUIMEDES E O π
Arquimedes viveu por 75 anos em Siracusa (na Sicília, uma ilha da Itália). Algumas pessoas dizem que ele costumava andar com um pote de areia embaixo do braço para que pudesse desenhar formas geométricas e fazer cálculos – naquela época, 300 a.C., qualquer forma de papel era caríssima. Hoje o aficionado por história da matemática (vamos chama-lo de Isaac) pode refazer os passos de Arquimedes com maior conforto. Na verdade, Isaac prefere usar também régua e compasso, mas não precisa desenhar nada em perfeição, pois as formas só servem para orientar o pensamento.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário