No dia-a-dia, filhos de camponeses fazem uma
matemática peculiar, ligadas ás necessidades reais. Durante o plano desenvolvem
noções de geometria ao traçar e dividir canteiros. Fazem estatísticas e
cálculos ao contar e separar sementes. Finanças, ao estabelecer preços para produção.
Lidam com volume e proporção ao estipular quantidades de adubo. Observam
regularidades no crescimento e no formato das plantas. Tudo ao seu modo, com
linguagem própria e pouco formalizada.
Na escola, essas crianças costumam levar um
choque. A matemática que lhes é imposta, mais parece grego. Trata dos mesmos
temas, mas despreza a informação que vem de casa. Tudo em nome do cumprimento
de um currículo ultrapassado, abstrato, baseado numa formalização proposta a
mais de 2000 anos. O resultado não poderia ser outro. O aluno cria aversão a
disciplina não ver utilidade no que é ensinado e, claro, vai mal.
Se você conhece esse
fracasso, nem responsabilize o estudante. “o equivoco é do modelo, não das pessoas”,
afirma o professor Luiz Márcio e Imenes, engenheiro civil, mestre em educação
matemática e autor de livros didáticos. Segundo ele, os erros são históricos. O
principal deles: gastar 95% do tempo das aulas fazendo continha. “O ensino deve
estar voltado à resolução de problemas”, enfatiza. Felizmente, muita gente boa
está mudando esse quadro.
Há pelo menos duas décadas,
educadores de todo o mundo, organizados no chamado movimento de educação
matemática, criam estratégias, propõem currículos com enfoques diferentes para
os conteúdos, pedem a reintegração da geometria ao programa e, sobretudo, a
adoção de uma abordagem ligada ao cotidiano é vinculada as demais áreas do
conhecimento. Essa aproximação se consegue com alinhamento da didática a ideias
como a Programa Etnomatemática, formulado por Ubiratan D’Ambrósio, professor
emérito da Universidade Estadual de Campinas e professor de pós – graduação na
Universidade de São Paulo (USP), na pontifícia Universidade Católica de São
Paulo e na Universidade Estadual paulista.
Para D’Ambrósio, a sabedoria
da criança do campo (ou da favela, ou de um bairro rico) nunca pode ser
desprezada. “Quando respeita esse conhecimento, o professor cria vínculo, faz
um pacto com o aluno e ergue uma ponte entre a realidade cultural e o ensino
formal, preparando o terreno para a formação do espirito científico”.
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