terça-feira, 27 de novembro de 2012

A MATEMÁTICA PULSA NO DIA-A-DIA


 No dia-a-dia, filhos de camponeses fazem uma matemática peculiar, ligadas ás necessidades reais. Durante o plano desenvolvem noções de geometria ao traçar e dividir canteiros. Fazem estatísticas e cálculos ao contar e separar sementes. Finanças, ao estabelecer preços para produção. Lidam com volume e proporção ao estipular quantidades de adubo. Observam regularidades no crescimento e no formato das plantas. Tudo ao seu modo, com linguagem própria e pouco formalizada.

 Na escola, essas crianças costumam levar um choque. A matemática que lhes é imposta, mais parece grego. Trata dos mesmos temas, mas despreza a informação que vem de casa. Tudo em nome do cumprimento de um currículo ultrapassado, abstrato, baseado numa formalização proposta a mais de 2000 anos. O resultado não poderia ser outro. O aluno cria aversão a disciplina não ver utilidade no que é ensinado e, claro, vai mal.

Se você conhece esse fracasso, nem responsabilize o estudante. “o equivoco é do modelo, não das pessoas”, afirma o professor Luiz Márcio e Imenes, engenheiro civil, mestre em educação matemática e autor de livros didáticos. Segundo ele, os erros são históricos. O principal deles: gastar 95% do tempo das aulas fazendo continha. “O ensino deve estar voltado à resolução de problemas”, enfatiza. Felizmente, muita gente boa está mudando esse quadro.

Há pelo menos duas décadas, educadores de todo o mundo, organizados no chamado movimento de educação matemática, criam estratégias, propõem currículos com enfoques diferentes para os conteúdos, pedem a reintegração da geometria ao programa e, sobretudo, a adoção de uma abordagem ligada ao cotidiano é vinculada as demais áreas do conhecimento. Essa aproximação se consegue com alinhamento da didática a ideias como a Programa Etnomatemática, formulado por Ubiratan D’Ambrósio, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas e professor de pós – graduação na Universidade de São Paulo (USP), na pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade Estadual paulista.

Para D’Ambrósio, a sabedoria da criança do campo (ou da favela, ou de um bairro rico) nunca pode ser desprezada. “Quando respeita esse conhecimento, o professor cria vínculo, faz um pacto com o aluno e ergue uma ponte entre a realidade cultural e o ensino formal, preparando o terreno para a formação do espirito científico”.

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